Quando Lucas Mendonça, 16, viu um colega do 9º ano ser isolado por três meses sem que ninguém da escola notasse, decidiu que podia fazer algo. Ele programava havia dois anos, aprendeu sozinho pelo YouTube. Em agosto de 2025, começou a escrever o SinalDeAlerta.

O aplicativo é simples: o aluno baixa no celular, responde todo dia 3 perguntas em menos de 30 segundos — tipo 'você se sentiu excluído hoje?', 'viu alguém sofrendo hoje?' — e os dados chegam anonimizados ao coordenador da escola, em gráficos. Nenhum nome aparece. Mas o padrão aparece.

Em abril de 2026, o SinalDeAlerta está em 12 escolas municipais de Fortaleza e região. Em 8 meses de uso, identificou 47 casos de bullying que estavam passando batido pelos professores. Em 19 deles, o coordenador conseguiu intervir antes que virasse problema maior.

Quando 6 alunos da mesma turma marcam 'vi alguém sofrendo' na mesma semana, a gente sabe que alguma coisa tá errada ali Lucas Mendonça, criador do app

A Secretaria de Educação do Ceará estuda ampliar pra mais 80 escolas em 2027. Lucas, que mora com a mãe e a avó, recusou oferta de uma empresa que queria comprar o app por R$ 200 mil: "Não vendo. Quero deixar de graça pra escola pública."