Começou com 30 livros da própria estante. Incomodada em ver que colegas da escola não tinham acesso a leitura em casa, uma menina de 12 anos, de um bairro da zona norte do Recife, decidiu abrir a garagem da casa como biblioteca pública de rua. Hoje, quatro anos depois, o espaço guarda mais de 3 mil livros doados e atende cerca de 200 crianças por mês.
O funcionamento é simples: toda quarta e todo sábado, a garagem abre das 14h às 18h. Qualquer criança do bairro pode entrar, escolher um livro, levar pra casa e devolver quando terminar. Não tem cadastro, nem multa, nem carteirinha. "Se sumir, sumiu pra uma casa onde vai ter um livro a mais. Tá ótimo", diz a mãe, que ajuda na organização.
Tem criança aqui que nunca tinha tido um livro na mão. Quando pega o primeiro, o olho brilha de um jeito que não tem como descrever. Fundadora do projeto, 16 anos
A divulgação acontece quase 100% via Instagram. Doações chegam do Brasil inteiro: de escritores enviando exemplares autografados a pais que esvaziam a estante do filho que cresceu. A pauta começa a atrair professores da rede pública, que passaram a levar turmas em excursão para visitar o espaço.
Agora, a família planeja o próximo passo: transformar o pequeno quintal em uma área de leitura ao ar livre. "Livro puxa livro. Criança leitora vira adulto leitor. A gente só plantou uma semente na rua", resume. A biblioteca não tem nome oficial ainda — só um apelido carinhoso dado pelas próprias crianças: "a casinha dos livros".